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Press Release

Brazilian Government Press Release on the Ratification of Raposa Serra do Sol: Indians Gain Permanent Ownership

Issued on April 15 , 2005

President Luis Inácio Lula da Silva today signed the ratification decree for the Indigenous Territory Raposa Serra do Sol in the state of Roraima. The ratification confirms the criteria set out in legal notice 534, published today in the Diário Oficial da União by the Ministry of Justice. The measure constitutes recognition of the longstanding legal claim on the part of the Indian population (from the Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang and Patamona ethnic groups) of the region, numbering approximately 14 thousand. For at least 26 years the Indians, alongside FUNAI (National Foundation for Indians) and non-governmental organizations, have been fighting for definitive recognition of their right to legal possession of the reserve.

The territory, ratified as a continuous area, has a total area of 1,747,464 hectares. The decree marks the beginning of a new phase of cultural and environmental development, integration and preservation in the region, while also addressing issues of national interest such as border security  and the federative principle. Justice minister Márcio Thomas Bastos, who attended the signing of the decree, said, “This is a great moment for the government. We have signaled our determination to continue with the demarcation of indigenous territories, and above to all bring peace to situations of conflict, so that by the end of our mandate we will have found solutions to virtually all the disputes in every state.”

The ratification of Raposa Serra do Sol had been the subject of a legal dispute between the state of Roraima and the federal government since 1999. The Federal Public Ministry decided, therefore, to request that the Federal Supreme Court (STF) declare itself competent to pass judgment on the actions of local landowners which were in contravention of legal notice 820 from the Ministry of Justice, which stated that the Indians had definitive ownership of the reserve.

Yesterday (April 14), the Federal Supreme Court ruled that the issue of legal notice 534 by the Ministry of Justice meant that the previous legal procedures had sustained “loss of cause of action”.

Legal Notice no. 534

The new legal notice ratifies – with safeguards – the declaration that the Ingarikó, Makuxi, Taurepang, Wapixana and Patamona groups have permanent ownership of the Raposa Serra do Sol territory.

The safeguards state that the Monte Roraima National Park is to be submitted to a dual-purpose legal regime as a public good belonging to the federal government, existing both to protect the environment and to uphold the rights of the indigenous population. The safeguards also guarantee freedom of action for the Brazilian armed forces, so as to defend national territory and sovereignty, and for the federal police, so as to guarantee security, the rule of law and the protection of the rights of indigenous people in the border region.

The legal notice excludes the Sixth Special Border Platoon from Raposa Serra do Sol. However, the military areas will be preserved in order to guarantee the maintenance of a State presence, ensuring that the armed forces and the federal police can operate. The legal notice also maintains the prerogative of the President of the Republic to authorize, for example, the dispatch of other army platoons to the reserve, if it becomes evident that such a measure is necessary.

Public equipment and installations (both federal and state), electricity-transmission cables and roads in the region will be maintained, as will the urban area of the municipality of Uiramutã (population 4,700).

As a consequence of ratification, non-Indian individuals or groups will not be permitted to enter, travel through or remain inside the perimeter of the reserve (the exceptions being the federal authorities and certain other people who have special authorization).

The withdrawal of settlers from the region is to take place over a period of not more than one year, starting from the date of ratification. All 565 inhabitants of three hamlets existing inside the indigenous territory – Socó, Mutum and Surumu – will be transferred by means of a joint undertaking by the National Foundation for Indians (Funai) and the National Institute for Colonization and Agrarian Reform (Incra).

The rice growers who use the land on the south-western edge of the indigenous area are also to be transferred within one year, allowing them time for harvesting. The small farmers in other areas will be resettled in accordance with the project developed by Incra. The federal government will pay compensation to those who, in good faith, built or improved their homes in the territory. There are 63 occupants of the rural area – 47 pursuing small-scale cattle farming and 16 rice growers.

NOTA À IMPRENSA

Emitida em 15 de abril de 2005

Homologação de Mais Cinco Áreas Indígenas pelo Governo Federal

Hoje, Dia do Índio, mais cinco terras indígenas forarn homologadas pelo governo federal. As terras totalizam 224.881 hectares e estão localizadas nos estados de Roraima, Tocantins, Maranhão e Pará. No dia 15 de abril, depois de 26 anos de disputas judiciais, os rnais de 1,7 rnilhão de hectares da Terra Raposa Serra do Sol também já pertencem definitivamente aos índios. São 14 mil pessoas pertencentes a cinco etnias: Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona. A hornologação de terras para essa população e uma rnarca da política indigenista do governo federal aliada a ações que garantam acesso a serviços essenciais e permitam o desenvolvimento sustentável das aldeias.

Em dois anos foram homologadas 54 terras indígenas, totalizando uma área de 9,1 milhões de hectares. As áreas homologadas hoje estão localizadas nas Terras Awá )MA), Espírito Santo (AM), São Sebastião (TO), Maranduba (PA e TO) e Tabalascada (RR) onde vivem cerca de 870 índios. Em todos os casos, ocupantes não-índios de boa fé receberão indenização. Corn essas homologações o Brasil atingiu a marca de 12% do território nacional destinados a terras reconhecidamente indígenas.

No que diz respeito à educação, os 150 mil índios em idade escolar estão matriculados em escolas de ensino fundamental e médio em suas aldeias ou em municípios próximos. Outros 1,3 mil jovens freqüentam cursos superiores, número que vem aumentando devido à política de cotas e ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Na primeira edição do programa, 41,53% das 112 mil bolsas de estudo foram reservadas para índios e afrodescendentes.

As ações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão focadas na ampliação do abastecimento de água potável, na realização de campanhas de vacinação e na ampliação da assistência médico-hospitalar aos 430 mil índios que vivem no Brasil. A maior preocupação atual está no combate à desnutrição infantil presente em aldeias do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Nesse sentido, o governo liberou este mês R$ 4,1 milhões para as aldeias Bororó, Jaguapiru e Amambaí (MS). Os recursos serão aplicados em redes de abastecimento de água. Em 2005, a Funasa investiu outros R$ 400 mil na instalação de caixas d’água e remanejamento da rede de abastecimento existente. A meta é levar água potável para todas as áreas indígenas do estado, beneficiando 53 mil pessoas.

As medidas envolvem também avaliação e atendimento médico, abertura de uma nova unidade pediátrica, reforço na distribuição de cestas básicas e da multimistura (composto feito a partir de folhas de legumes, sementes, casca de ovo, etc), orientação nutricional aos índios e reforço na suplementacao de vitamina A.

A nova unidade de atendimento infantil está funcionado, desde o dia 14 de março, no Hospital Universitário de Dourados, com seis leitos pediátricos de terapia intensiva (UTI) e mais 14 na enfermaria.

Além disso, o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Irnip), referência nacional no tratamento de desnutridos graves, iniciou, no munícipio de Dourados, um prograrna de padronização e qualificação do atendirnento hospitalar as crianças indígenas com desnutrição. A equipe permanente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Dourados (MS) foi reforçada e conta, atualmente, corn dez rnédicos, cinco nutricionistas, dez enfermeiros e 33 agentes comunitários. Em parceria com funcionários da prefeitura de Dourados, as equipes rmédicas já realizararn a avaliação de 534 crianças de até cinco anos e identificararn desnutrição ou risco de desnutrição em 120, de acordo com critérios do Programa de Vigilância Nutricional do governo federal.

Para reforçar a alirnentação dos índios da localidade, a Funasa adquiriu 50 quilos de leite que serão distribuídos pela comissão formada por funcionários do órgao para coordenar as ações de suplernentação nutricional em Dourados. Forarn enviadas ainda 1.200 cestas básicas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Até agosto, o MDS vai distribuir rnais seis mil cestas aos índios Guarani-Kaiowá.

Para a rnontagem e descarregamento das cestas básicas, a Funasa e o governo local receberão apoio do Exército. Outra parceria estabelecida é com a coordenação local da Pastoral da Criança que agora faz parte do mutirão de saúde. A entidade está contribuindo com a produção e distribuição da rnultimistura que será adicionada às atividades de suplementação nutricional nas aldeias. A multimistura é uma farinha fabricada a baixo custo usada para suplernentar a dieta de pessoas com deficiências de nutrientes no organismo.

Ainda no que se refere aos índios Guarani-Kaiowá, cumpre assinalar que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 28 de março a homologação da Terra Indígena Nhande Ru Marangatu (Cerro Marangatu), em Mato Grosso do Sul. A terra, com 9,3 mil hectares, é uma antiga reivindicação dos índios Gurarani Kaiowá Nhandeva. Cerca de 600 Guarani já estavam morando na área, mas estavam ameaçados por uma ação de despejo, a ser cumprida a partir de 31 de rnarço. Com a homologação, fica garantida a permanência dos índios, que já plantaram no local roças de milho e mandioca.

Já nas aldeias Xavantes, localizadas nos rnunicípios de Barra dos Garças, Campinápolis, Água Boa, Paranatinga e Nova Xavantina, cinco equipes com profissionais de saúde e agentes comunitários também estão realizando a identificação das crianças com risco nutricional e doenças associadas a desnutrição (diarréia, desidratação, anemias, etc) . As crianças internadas nos hospitais de referência em Água Boa, Barra dos Garças e Campinópolis estão sendo acompanhadas diariarnente por uma equipe da Funasa e das Secretarias Municipais de Saúde da região. Foram distribuídas 534 cestas básicas enviadas pelo MDS. A Pastoral da Criança, igualmente, realiza visitas e distribuição da multimistura nas localidades onde vivem os Xavantes.

Em abril, a Funasa e o Ministério da Saúde também iniciaram a distribuição de megadoses de vitamina A para crianças indígenas de aldeias do Mato Grosso do Sul. Na primeira fase, 9.562 crianças com idade entre seis meses e cinco anos serão atendidas. O reforço na suplementação do nutriente aumenta a imunidade e reduz a morbidade e a mortalidade relacionada a doenças infecciosas.

A busca da melhoria da qualidade de vida da população indígena está presente ainda em dois programas desenvolvidos pela Eletronorte, em parceria com a Funai, há 17 anos. Ambos beneficiam etnias atingidas pela diminuição de seus territórios com a construção das hidrelétricas de Tucuruí e Balbina. No Amazonas, em 1988, a hidrelétrica de Balbina inundou 30 mil hectares de terra Waimiri Atroari. Com uma população de 374 pessoas, o grupo estava próximo a extinção. O programa tem garantido assistência médica e educação, por meio de 12 postos de saúde, e do ensino das línguas portuguesa e tribal. Além disso, com o apoio da Eletronorte, os Waimiri Atroari criam animais silvestres e desenvolvem projetos agropecuários e de piscicultura. Atualmente, a etnia é composta por 1.066 pessoas, com taxa anual de crescimento populacional de 6,5%, quatro vezes maior que o índice nacional.

A iniciativa também leva assistência médica, sistema escolar diferenciado, apoio às atividades produtivas e valorização da cultura aos índios Awaete Parakanã. Essa população, antes limitada a 247 pessoas, teve 38.700 hectares de seu território inundados com a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Com a ajuda do programa, os índios rnantêm uma taxa significativa de crescimento populacional (são hoje 643 pessoas), produzem seu sustento e preservam sua cultura.